Introdução
A recente decisão do Banco Central (BC) de decretar a liquidação do Will Bank, banco digital controlado pelo conglomerado Master, movimentou o setor financeiro brasileiro. O caso acende um alerta sobre gestão de risco, proteção do consumidor e importância de acompanhar a saúde financeira das instituições nas quais confiamos nosso dinheiro.
Neste artigo completo, você entenderá por que o Banco Central liquidou o Will Bank, como funcionará o ressarcimento do FGC, e — principalmente — como evitar cair em situações como essa no futuro, protegendo suas economias.

Entenda por que o Banco Central liquidou o Will Bank
Um banco digital em expansão, mas com problemas internos
Criado em 2017 e comprado pelo Master em 2024, o Will Bank era voltado majoritariamente para o público de baixa renda. Segundo o BC, a instituição atendia quase 6 milhões de clientes, representando mais da metade de toda a base do conglomerado Master.
Porém, apesar do crescimento em número de usuários, o Will Bank apresentava grandes problemas financeiros. Em setembro de 2025, o banco já estava com patrimônio líquido negativo em R$ 76 milhões, o que indicava prejuízos acumulados e risco de insolvência.
O BC tentou evitar a liquidação — mas não havia saída
Em novembro de 2025, o Banco Central liquidou o conglomerado Master, mas manteve o Will Bank em um regime especial de administração, com o objetivo de buscar alternativas para evitar sua quebra.
Três meses depois, em 21 de janeiro, ficou claro que:
- Não havia solução viável para reestruturação;
- O banco não honrou pagamentos essenciais, incluindo débitos com a Mastercard;
- A saúde econômico-financeira estava totalmente comprometida.
Diante disso, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, seguindo os critérios legais de proteção ao sistema financeiro.
O papel da Mastercard na crise do Will Bank
O problema com a Mastercard foi decisivo. Segundo o BC, o Will Bank deixou de pagar valores devidos à operadora, o que indicava incapacidade de continuar operando.
A Mastercard divulgou nota afirmando que possui garantias para casos de inadimplência, mas não comentou diretamente o ocorrido. Já o Will Bank não se manifestou.
Esse tipo de situação reforça a necessidade de acompanhar a estrutura financeira das instituições que administram cartões e contas.

FGC vai ter que desembolsar mais R$ 6 bilhões para ressarcir vítimas
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passa a ser responsável pelo ressarcimento dos clientes que tinham:
- Dinheiro em conta;
- Saldo em CDBs;
- Outras aplicações elegíveis à proteção.
Estimativa de impactos financeiros
A estimativa inicial é que o FGC desembolse mais de R$ 6 bilhões apenas para cobrir os clientes do Will Bank.
Esse valor se soma aos R$ 40 bilhões já destinados ao pagamento dos clientes do Master, impactando fortemente o fundo.
Quem tem direito ao ressarcimento?
O FGC cobre:
- Até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ;
- Considerando a soma de investimentos e saldos por instituição financeira.
Atenção:
Quem tinha dinheiro no Master e no Will Bank após 22 de agosto de 2024 terá os valores somados dentro do mesmo limite de R$ 250 mil.
Como será o pagamento?
O pagamento ainda depende de análises e levantamentos do liquidante, podendo levar até dois meses. Clientes já podem acompanhar o processo pelo aplicativo do FGC.
O que essa liquidação significa para os clientes do Will Bank?
A liquidação não significa que você perdeu tudo — mas sim que entrou no processo de ressarcimento.
Para quem tinha valores acima de R$ 250 mil, entretanto, pode haver perdas irreversíveis, já que o FGC não cobre valores superiores.
Outros impactos incluem:
- Cartões e contas serão definitivamente encerrados;
- Serviços deixam de funcionar imediatamente;
- Clientes terão que migrar para outras instituições.
Como evitar cair em casos como o do Will Bank? (Orientações práticas)
A liquidação do Will Bank pelo Banco Central serve como alerta para qualquer pessoa que usa bancos digitais, plataformas financeiras e fintechs.
1. Verifique periodicamente a saúde financeira do banco
Acompanhe:
- Ratings de risco;
- Notícias sobre patrimônio líquido;
- Decisões recentes do Banco Central;
- Reclamações no Banco Central e Procon.
2. Evite deixar grandes quantias em bancos pequenos ou instáveis
Bancos menores geralmente oferecem:
- CDBs com taxa de juros muito alta;
- Benefícios agressivos.
Mas lembre: quanto maior o risco, maior a remuneração prometida.
Mantenha saldos elevados:
- Em grandes bancos ou
- Distribuídos entre várias instituições.
3. Respeite sempre o limite de proteção do FGC
Nunca deixe mais de R$ 250 mil por instituição.
Distribuir seu dinheiro em diferentes bancos é uma estratégia simples e segura.
4. Desconfie de instituições com muitas reclamações
Sinais de alerta:
- Atraso constante em pagamentos;
- Dificuldade de contato com suporte;
- Mudanças repentinas na operação;
- “Promoções” agressivas demais.
5. Acompanhe comunicados oficiais do Banco Central
O BC publica:
- Lista de bancos em regime especial;
- Decretos de intervenção;
- Informações de liquidação.
Isso pode evitar surpresas desagradáveis — como no caso do Will Bank.

6. Tenha contas em múltiplos bancos
Diversificação não é só para investimentos.
Tenha pelo menos:
- Um banco tradicional;
- Um banco digital seguro;
- Uma instituição com boa reputação para guardar reservas.
O que aprender com a liquidação do Will Bank?
A frase-chave “BC liquida Will Bank, banco digital do Master; FGC vai ter que desembolsar mais R$ 6 bilhões para ressarcir vítimas” sintetiza perfeitamente o tamanho do problema.
O caso escancara:
- A importância de analisar a solidez da instituição;
- O risco de confiar todo o patrimônio em um único banco;
- A relevância do FGC como mecanismo de proteção;
- A necessidade de fiscalização contínua do Banco Central.
Além disso, mostra como até bancos digitais populares podem quebrar rapidamente quando dependem de controladoras fragilizadas — como foi o caso do Master.
Conclusão
A liquidação do Will Bank pelo Banco Central é mais um capítulo da instabilidade que atingiu o conglomerado Master.
Com quase 6 milhões de clientes afetados e um rombo superior a R$ 6 bilhões, o caso entra para a história como uma das maiores operações de ressarcimento já realizadas pelo FGC.
Para o consumidor, fica a lição:
é preciso acompanhar de perto a saúde financeira do seu banco, diversificar contas e nunca ultrapassar o limite de proteção do FGC.
Se você quer evitar cair em situações como essa, siga as orientações deste artigo e mantenha sempre sua vida financeira protegida.